terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Pra você

Hoje te vi triste, novamente, como no dia em que nos falamos pela primeira vez, só que agora era por minha causa. Desde quando nos conhecemos acho vinha buscando um defeito em você, uma razão pra eu partir, só que até agora não encontrei. Sabe aquele medo que eu disse pra você perder? Eu também o tenho, mas de um jeito diferente, eu fico me escondendo, fugindo do que sei que vai me fazer feliz, porque eu parei de acreditar no amor, quer dizer, eu achei que tinha, então você apareceu e tudo que eu havia prometido a mim mesmo se perdeu por aí, mas por algum motivo eu não quero encontrar. Eu só queria que você soubesse o quanto me faz bem ouvir sua voz antes de dormir, e o quanto me faz mal saber que estamos tão distante nessas horas. Eu sinto sua falta a cada segundo que eu percebo que minha respiração está normal, a cada momento que eu não percebo o jeito que meu coração está batendo, é por isso que eu resolvi te entregar aquilo que você diz ser perfeito em mim, ele está meio machucado, mas se você cuidar dele, ele melhora com o tempo, o mesmo tempo que eu e você estamos ignorando pra finalmente começarmos algo bom e sermos felizes, ele ajuda de vez em quando, ele me ajudou, fazendo com que eu esperasse por você, para que assim a gente comece junto o que talvez possa ser um final feliz...

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Talvez o nada possa ser um (re)começo

Senti medo, senti saudade, senti uma dor incontrolável e senti falta de você. Por tanto tempo foi assim, preso nesse ciclo, sozinho ou querendo ser só. Me deram amor e eu joguei fora. Me deram tudo e eu fui correndo atrás do nada. Chorei, (me) enganei, tive as piores crises de amigdalite, é porque foi isso que eu aprendi com o amor, ele te deixa fraco e no meu caso me deixou sem imunidade. Até eu começar sentir falta de mim, do meu sorriso, do meu ego grande que se tornou mais uma mentira e depois de tudo isso agora eu estou bem. Eu gosto da sensação que é o nada, não o nada que eu sempre falo, mas não precisar de nada, dormir só pensando em dormir, sonhar com coisas estranhas que só eu acho graça e de te olhar e não sentir nada, quer dizer eu sinto alguma coisa quando te olho, sinto falta do tempo que perdi, de tudo que deixei e do meu amor que eu desperdicei, porque foi muito e eu não sei se vai ser meu novamente, pra simplesmente eu poder amar, mas se ele for eu só espero que não seja igual, mas também se não for, eu estou bem, eu finalmente sou eu e sabe eu nem penso mais em tirar minhas amígdalas.

domingo, 30 de janeiro de 2011

...

Presa na minha loucura, que me obrigava ter você, eu me perdi de uma parte que era eu.

Sem perceber simplesmente me dei às costas e comecei a correr na direção contraria de onde eu estava e eu me via louca atrás de você, sem conseguir te alcançar nunca completamente. Eu parada sem poder fazer nada para que eu correndo parasse. Foi agonizante eu parada vendo correndo, caindo, batendo a cara no muro, sangrando, quase sem conseguir mudar um passo, mas a vontade de continuar era interminável. Eu parada não me importava com você, no entanto eu correndo não me ouvia mais, porque eu correndo acreditava que um dia ia chegar a algum lugar mesmo tendo só o vazio a sua frente. Eu parada admirava a coragem do meu que corria, chorava e se esperneava de tanta raiva de tanto berrar, de tanto correr, de tanta dor. Eu parada também sentia, sentia pena e um pouco de dor por não poder fazer nada por mim, foi quando eu parada vi que não corria mais, vi que o eu que corria não conseguia mais voltar e então eu parada comecei a correr. Peço desculpas para o nada que sobrou de mim. E a você, obrigada.


(Taciane Vieira)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Até a Terra do Nunca

Não. Não é não acreditar, é tapar os ouvidos pra tudo que não é necessário saber, tudo que vai acabar te fazendo mal, como uma criança que não quer ter seus sonhos rasgados só porque são impossíveis ou porque a pessoa que ela mais confia não existe, e não existe mesmo. Eu fui aos poucos descobrindo que somos feitos de sonhos, possíveis ou não, e sempre que um sonho acaba precisamos recomeçar outro pra não cairmos na solidão que é fechar os olhos e não ter nada, ou de repente abrir e ter tudo, e perceber que na verdade o tudo já não existe, não basta. Você apenas tentou ou nem isso. E o que acontece depois? Acho que crescemos e nos tornamos tão hipócritas que tudo aquilo que um dia nos fez feliz, já não é tão importante assim, substituímos por mascaras, pela falta de sermos nós mesmos, por sorrisos tão falsos que mais parecessem uma fotografia mal tirada que vai ser posta num desses porta-retratos artesanais, provavelmente você faça isso para parecer estar melhor quando for olhá-las e pra que ninguém lembre que por mais que você queira você não é mais uma criança com um sorriso bobo estampado o tempo todo, seus sonhos infelizmente não se refazem tão de pressa, e quando se refazem estão de volta na estaca zero, mas ninguém te dará uma força para elevá-lo, não agora. Acho que um dia, talvez.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Parte V de V

01 de Setembro de 1901
Windsor, Inglaterra



Srta. Watson

Pedimos a senhorita que compareça ao Hospital Psiquiátrico de Windsor. Um de nossos pacientes, Gael Smith, foi encontrado morto e em uma de suas mãos estava uma carta de sua autoria. Sei que a senhorita não é da família e tão pouco chegou a conhecê-lo, mas é que desde que ele chegou aqui, há dez anos, você foi o seu único contato, quer dizer há dois anos tinha uma de nossas pacientes Luni de Clair, não sei bem como era a relação dos dois, pois ela acreditava ser um pássaro, porém a família da moça a retirou do hospital, afirmavam que com Gael ao seu lado ela estava piorando, eu cheguei dizer que era ao contrário os dois apresentavam uma melhora significativa, mas eles não quiseram me ouvir e depois disso o quadro de Gael nunca mais houve melhoras. Ele chegou aqui trazido pela família dizendo ser do futuro, seu nome era Henry, foi à última vez que ele os viu, depois disso ele só esperou o tempo passar, até ontem quando nós o encontramos encostado em uma árvore do nosso jardim de lírios, em frente ao lago, o curioso é que os seus olhos ainda estavam abertos, olhando fixamente para as águas do lago, como se estivesse olhando quase que para um espelho, seu coração havia parado e não podíamos fazer mais nada. A senhorita me perdoe, mas eu li sua carta, por isso resolvi lhe contar o que se passava com Gael, se não quiser vir até aqui não será necessário, mas sabe quando o encontramos havia um bilhete em sua mão, porém todo borrado, mesmo assim conseguimos ver o seu endereço contido nele e uma última frase: P.S. Os pássaros foram embora.

Sentimos muito pelo fim

Sr. Collin diretor do HPW


(Lucas Ribas)


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Parte IV de V

26 de Agosto de 1901
Windsor, Inglaterra
Alinhar à direita





Caro Sr. Henry

Desculpa ter feito esperar durante tanto tempo, estava fazendo uma viagem, conhecendo o mundo inteiro. Peço desculpas também por não ser Luni, creio que as tenha enviado para o endereço errado. Há dois meses cheguei de viagem e tenho lido todas suas cartas desde então. Fiquei curiosa para conhecer quem é a mulher a qual o senhor escreve de maneira intensa, fui procurá-la, porém as noticias não são boas, em todo o condado de Berkshire não se ouve falar em qualquer Luni. Se me permite dizer fiquei com inveja dessa moça, por ser tão amada, suas palavras são tão doces, quis também poder ver os pássaros, ouvir seu canto, respirando o perfume dos lírios. Queria poder encontrá-lo para devolver todas suas cartas, para que as entregue para pessoa certa. Mais uma vez peço desculpa. Sabe ás vezes amamos tanto que não prestamos atenção o quanto é maravilhoso o mundo a nossa volta, não se prenda em seu cubo branco, sempre haverá flores em outros jardins e os pássaros podem cantar a canção que você quiser.



Com amor da Sta. Linda Watson

P.S. Creio que o senhor errou nas datas, mas isso é só um detalhe, espero que possamos nos ver o quanto antes.

Parte III de V

18 de Julho de 2008
Windsor, Inglaterra



Luni...


Já não consigo nem te chamar de querida, a saudade que eu sinto me destruiu e você não fez nada. Eu tenho me ocupado ao máximo, tenho evitado até mesmo dormir pra ver se te esqueço. Acho que nunca me machuquei tanto e nunca chorei tanto também. Eu estou dando o meu melhor para não lembrar mais dos momentos que fui feliz com você, já não consigo saber se te odeio, ou se te amo demais. Ontem a dor foi tão forte que cheguei a desmaiar e durante o tempo que fiquei desacordado sonhei com você, depois o pesadelo, aquele ciclo de sempre. Essa será minha última carta, não por escolha, mas por medo que essa sensação de perda fique para sempre. Para sempre. Não era essa a nossa promessa? Então onde você foi parar? Não acredito mais em amor. Li pela ultima vez o bilhete que me deixou quando foi embora e decidir te deixar ir. Mas eu ainda não consigo deixar de sentir sua falta. Mandei tirar todos os lírios da casa, pintei todas as paredes do meu quarto de branco, tirei móveis, retratos, tudo que me faz pensar em você. Agora estou preso em um cubo branco, em que só existe eu e minha solidão e não vou até você, nem mesmo quando me chamar. Cada vez mais longe, cada vez mais.


Acho que até nunca.


Henry


P.S. Os pássaros já não cantam, mas eles continuam aqui me protegendo.

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