quarta-feira, 20 de julho de 2011

Pedaços de cetim



Eu nos vi quando ainda não existia essa distancia. Eu nos vi tão próximos, e ao mesmo tempo havia algo que só aumentava, algo entre a gente. Com tantos indícios acabamos escolhendo fechar os olhos, e quando abrimos já era tarde demais, o que sobrara não bastava. Ficamos com o pior de nós, com tudo que não tinha importância e as lembranças boas ficaram espalhadas pelo chão, só esperando alguém recolher novamente. E adiantou alguma coisa? Me diz. Alguém voltou para ver se o que ficara não nos traria de volta? Nos trancamos dentro de nós mesmos e nessa fuga desesperada para ver qual dos dois iria ceder primeiro fomos trançando rotas opostas, longe de qualquer tentativa de retorno. Mas eu voltei. Sabe, está tudo do jeito em que deixamos, o pedaço de cetim rasgado ainda continua ali - ele ainda tem teu cheiro - junto com os lembretes nunca vistos, e as lágrimas que não secam nunca, eu voltei a enxergar quase tudo. Voltei na esperança que você também estivesse aqui, eu cedi. Então volta. Volta. Eu cedi e fiz isso por amar cada momento tão nosso, por amar o espaço vazio que não existia, por nos amar. Então volta. Há tempo, se não tiver a gente começa contar de novo até dar certo, qualquer coisa. Você volta, não é? Mas se não voltar, tudo bem, eu espero do mesmo jeito. Eu espero. Ficarei aqui te esperando, porque eu sei, eu tenho certeza que há algo lindo pra gente, eu sei que tem, não foi por acaso tudo isso, tem um motivo, tem que ter. Então volta. Eu espero. Todavia se você continuar aí saiba que enquanto dormir cuidarei de você, pra que só tenhas sonhos bons e não sinta saudade de nós, mesmo longe ou perto se tiveres pesadelos e chorar pelo que não fomos eu te protegerei, até você estiver pronta para seguir novamente. Depois tentarei cuidar de mim, pois sei que há algo lindo pra nós dois, mesmo juntos ou afastados, agora eu sei. Seja feliz, meu amor.




Lucas Ribas

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Meu bem



Não abra. Está tudo fechado no momento. Não tente abrir. O mundo lá fora ficou grande demais, eu tranquei tudo, porque não tinha um motivo para permanecer livre. Só se dar asas a quem quer voar e eu já estava com medo, cambaleando pelas beiradas dos prédios e desabando em precipícios. Meu bem, só se da amor a quem ainda não viveu o bastante para se enganar ou se encontrar, que é o mais difícil, que é somente o que eu quero e tento procurar arduamente. Sabe essas marcas? Elas não são nada, apenas significam que eu não encontrei e como aquele autor diz “Cuidado comigo: um dia eu encontro”. O problema das pessoas que tentam voar é que elas querem chegar perto demais do sol. E isso é perigoso meu bem, porque as asas são sensíveis feito o amor. Você tem cuidar, senão você cai. Mas se você não voar de nada adianta, é preciso sentir pra saber até aonde se pode chegar. Está amanhecendo, daqui a pouco é hora de partir, vem chegando uma tempestade e eu preciso encontrar um lugar pra ficar. Quando estiver pronto para se sentir livre, eu volto e já não iremos precisar de asas. Eu terei você, meu amor.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Limitado a saudade


Ninguém acredita, na verdade eu não sei mais como definir. Distante não sinto nada, não há nada, até perto de vez em quando o nada acontece, mas o que me deixa em dúvida, confuso comigo mesmo é aquela saudade repentina, que vem não de tal forma, e quando isso me ocorre eu preciso de uma forma desesperada ir em direção a você, só que em pensamento. Me perco sempre, chego a pensar que você não existe e quando eu caio na real você não existe mesmo. Procuro pelo passado, pelo que foi e não nunca mais vai ser. Eu sempre soube que você mudaria, não queria que fosse tanto, mas não é o que eu quero, o que os outros querem, é o que você quer e isso foi uma coisa que sempre admirei em você. Seus olhos foram os que mais mudaram. Antes eu diria que eram as coisas mais lindas que eu já tinha visto, neles eu enxergava algo bom, algo tão perfeito quanto à lua, agora aos poucos foram ficando normais, apagados. O que me prende a você é o meu medo, eu sinto muito medo, sabia? Eu temo que seja único, que eu não sinta nunca mais algo tão forte quanto senti por você. Fecho todas as portas, fujo desesperadamente até você, pra não me deixar levar, não me permito a sentir algo limitado. Eu tento, tento, tento sempre e paro de tentar quando percebo não ser com a mesma intensidade, e podem dizer o que quiser, que o amor nunca é igual, que temos que aceitar as mudanças, mas então me digam como substituir a lua por uma estrela? E não que eu acho que você seja melhor, e não é. Só que não tem como fechar um espaço grande com paixões ou amores pequenos, sobra entende? E nessas sobras, nesses vazios surge a saudade que me prende a você para sempre ou até o vazio não existir e dar espaço ao completo. Mas por enquanto, só por agora te amo, te amo, te amo.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Com todo meu amor, tudo que foi sobre você.

Eu fui perdendo jeito, o tempo foi passando, fui esquecendo de mim e lembrando cada vez mais de você. Engraçado deveria ser ao contrário, não é? Você cresceu de uma forma tão grande aqui dentro, e não adianta dizer que não. Eu quero sim, eu preciso sim o não, não é pra mim, seria tão oposto. Tudo aqui ainda é seu, sei que você deve estar pensando que nunca quis nada, e não espero que queira, eu também não quero muita coisa, na verdade eu não escrevo pensando em pedir nada, eu nem sequer penso que você vai ler. Escrevo porque é uma forma de ficar bem, de tirar tudo isso daqui. Eu te prometo que será a última vez, está na hora de acabar, será o último desabafo. Eu escolhi esse nome porque era justamente sobre mim, sobre mim em relação a você. Eu queria gritar, mas não podia, me sentia cada vez mais perturbado por não ter você ao meu lado, quando eu mais precisava sentir você, ter você, respirar você, foi essa a única maneira que eu encontrei pra escapar. E não escapei, só deixei essa loucura de lado, fui mascarando todo meu amor, tornando ele eterno em palavras e permanente em solidão. Com todo meu amor, por tudo sobre você, eu te digo que foi eterno enquanto foi seu, mas será inteiro quando nada for.

domingo, 29 de maio de 2011

Esquecido

Já não me lembro mais de muita coisa, coisas que eu não queria ter perdido ou sei lá, deixado pra trás. Não sei mais como é o cheiro das flores, eu estou pisando nelas, mas não as sinto, de forma alguma. Não me lembro se era o tom ou o ritmo que era perfeito, poderia também ser a letra, mas eu desaprendi como se canta, se é que um dia eu soube. E em meio dessa vontade de lembrar eu me pergunto o porquê de continuar seguindo, se eu já não sinto e nem se quer sei se existiu um caminho certo. E como vai ser quando chegar os espinhos? Eu desviarei ou pisarei com passos firmes? Eu sentirei? Calma, lenta, com uma batida ao fundo que pulsava, contraia, pulsava, contraia e a letra: triste, melancólica e extremamente... Não sei, não quero, tento não me lembrar, como se fossem as lembranças que machucassem, como se acontecesse de verdade, e sim, era como no primeiro segundo estar e no seguinte não mais, mesmo eu não tendo certeza dos detalhes, mas era apenas a minha imaginação, porque não há mágoas pelo que aconteceu só pelo que poderia ter sido. Elas já tiveram cor um dia? As rosas... Elas já tiveram cor? Já me fizeram sorrir? E não adiantaria tentar lembrar, eu não saberia dizer qual é a sensação que o vermelho trás, ou qual é a diferença entre o rosa e o azul. Qual delas seria a cor preferida de um menino? Qual delas te (me) faria outra vez feliz? Era importante saber isso, aqui voltaria a ter cor e cantaria outra vez, só pra mim, esse lugar seria de novo só meu. Então não seria preciso achar a saída, uma porta de emergência, eu ficaria, mas aqui está cada vez mais escuro e tão só que quando eu sair os rastros que eu deixarei serão apenas saudades, se é que vamos lembrar disso também.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

É que eu ainda acredito nisso, ou pelo menos eu tento

Porque se faltar amor aí sim eu to fudido cara. E não é que eu esteja fazendo um drama, longe de mim, essa melancolia toda me enjoa. Essas coisas como “Se você for embora eu não sei como vai ser o meu amanhã” esse não sou eu. Não. Não. Por favor, que esse não seja eu. É que eu já tenho tão pouco, hoje, porque eu já tive muito e muito mesmo, pode acreditar. Essa cara feia, cara de fome, porque cara feia pra mim é fome, isso foi aparecendo depois, mas não é fome não cara, não é não. É coisa ruim. É traição. É lágrima. É medo. É insegurança. É o todo não amor, e se alguém falar que é normal passar por tudo isso está mentindo. E eu. E você. E a gente, a gente acredita e acaba ferrando qualquer um, e se ferrando junto, aí sim é normal, é rotina. Não! A gente fala que é normal pra sofrer menos, e sofre igual ou até pior, porque amanhã ou depois vai acontecer de novo. É rotina. E não ta tudo bem não, ta tudo uma merda, não adianta nem perguntar, mas se por um acaso você fizer isso, eu vou olhar bem no fundo dos teus olhos e vou dizer: “Está sim, pra falar a verdade ficou muito melhor desde que você se foi. Por que pra você não ta?”. E vai aparecer aquele sorriso forçado e eu vou torcer pra que saia um não dali, mas não vai sair, vai não, e o falso sorriso vai ser só em mim, o seu vai ser tão natural, tão perfeitinho. Chega de saudade, ela destrói qualquer um, esse sentimento de precisar de alguma coisa, de faltar algo nos leva a cometer as piores loucuras. Cara, não vai não, sabe que eu ando tão sozinho, eu prometo que amanhã vai ser diferente, não vai ter mais essa solidão, eu te prometo amanhã eu acordo bem, só que não me deixa sozinho. E se faltar você, se faltar você, eu não vou ser nunca eu. É por você que eu ainda estou nessa, e por esse amor que eu alimento e destruo todos os dias que eu ainda acredito nisso tudo. Agora vê se dorme, você precisa melhorar essa cara pra recomeçar, amanhã volta teu sorriso e tudo mais, eu te prometo.

domingo, 8 de maio de 2011

É só mais uma falsa verdade

"Admitamos que não houve nada, até agora. Mas e sua imaginação?"

Fazemos o seguinte: Esquecemos. Não que haja alguma coisa pra você esquecer, mas eu deixo esse amor, assim de lado e com o tempo ele próprio vai se esquecendo, e você? Essa coisa... Como é mesmo? “Carnal”, isso logo passa, tudo que não envolve um sentimento verdadeiro um dia acaba. E você diz: “Siga em frente, há um mundo bonito lá fora”. Seguir pra onde? Esqueça o que é bonito, perfeito, sei lá. Eu quero aquilo que não posso, aquilo que no dia seguinte vai me matar, mas que só por hoje vai me fazer sorrir com nunca. Eu estou falando de amor, desse seu amor que eu nunca conheci, e de bonito pra mim já basta ele. E não há, não é? Não há nada dele, nem que seja só um pouco, nada só meu? Então façamos o seguinte: Continue assim, eu não te conhecendo, não tendo se quer uma lembrança boba pra me fazer rir de vez em quando e sentir vergonha do quanto fomos ridículos, eu não lembrando o seu nome, que fique só em mim, na minha imaginação. E eu te imagino, bastante, não o seu rosto, não, isso nunca. Pense só como seria se eu te encontrasse por aí? Eu apenas te escuto, frequentemente, você chega e sussurra algo como que: “Eu demorei porque me perdi no caminho, mas agora estou aqui e vai ficar tudo bem, agora tudo vai ficar bem. Eu te amo”. Quimera. Isso é só mais uma fantasia e não há o que fazer.

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